Besthome | Uma fascinante viagem pelo Leste Europeu desvendando as belezas da Romênia
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Uma fascinante viagem pelo Leste Europeu desvendando as belezas da Romênia

Por Beto Conte, do STB Trip & Travel, que já percorreu 135 países nos cinco continentes

Há alguns anos, havia percorrido grande parte da Península Balcânica, inclusive a cênica Croácia – que bravamente conquistou recentemente o 2º lugar na Copa do Mundo –, ficando faltando somente a Romênia. Na primavera de 2017, completei a lacuna que faltava em meu mapa-múndi pessoal com essa peça importante no tabuleiro geopolítico do Leste Europeu.

Abaixo descrevo o fascinante roteiro, que começa por sua capital, Bucareste, em pleno festival de música clássica, seguindo pelos castelos medievais da Transilvânia, percorrendo a região tradicional de Maramures, nas montanhas dos Cárpatos, e os mosteiros de Bucovina, declarados patrimônios da humanidade, com seus magníficos afrescos considerados obras-primas da arte bizantina. Foi uma oportunidade de conhecer melhor a história da Península Balcânica, desde a Antiguidade até nossos dias, passando pelo período romano, bizantino, principados independentes medievais, dominação austríaca e otomana, e o conturbado século XX, com suas duas Grandes Guerras e longo período no bloco comunista.

Vamos juntos conhecer a atualidade dessa região estratégica entre a Europa e Oriente Médio:

BUCARESTE

A Paris da Península Balcânica nos recebeu, com suas amplas avenidas, no dia de abertura do renomado festival de música clássica George Enescu, que leva o nome do primeiro compositor romeno de legado universal e acontece no Grand Palace – a sala de concertos mais importante do país, construída em 1960 para receber os eventos do Partido Comunista.

A minha dica é ficar em algum dos bons hotéis na Avenida da Vitória, próximo à Praça da Revolução, que ganhou notoriedade global ao registrar os momentos finais de Nicolae Ceausescu no poder. Em torno da praça tem o Ateneu Romeno, o antigo Palácio Real, hoje Museu de Arte Romena, e a biblioteca da universidade. Bem legal também o centro antigo em torno da igreja Stavropoleos, com suas ruas peatonais e restaurantes com mesas na calçada. Uma viagem à diversidade local rural é o Open Air Village Museum, no Parque Herastrau, com suas construções tradicionais em madeira de diferentes regiões do país. Outro highlight é a colina Patriarcal, que abriga a catedral ortodoxa e o palácio Patriarcal. A visita imperdível é ao Parlamento, o maior prédio da Europa, marca registrada do monumentalismo comunista – sistema político e econômico que marcou o país desde o final da 2ª Grande Guerra até a queda do regime Ceausescu, em 1989.

A Romênia moderna nasceu quando os principados da Moldávia e da Valáquia se fundiram e declararam independência, em 1877. Um príncipe da casa alemã de Hohezollern-Sigmaringen recebeu a Coroa do Reino da Romênia, tornando-se rei com o nome de Carol I.
Após a Primeira Guerra Mundial, com a desintegração do Império Russo, Otomano e Austro-Húngaro, a Romênia dobra de tamanho com as aquisições da Transilvânia e da Bessarábia, formando a Romênia Maior do entreguerras. Esse período fica bem retratado em Sinaia, conhecida como a “Pérola dos Cárpatos”, devido à sua imensa beleza, e onde fica o Castelo de Peles, antiga casa de verão da família real da Romênia, construído no século XIX pelo rei Carol I.

A Romênia ainda hoje é dividida em três províncias históricas: as planícies da Valáquia, onde se encontra Bucareste; a Moldávia, no nordeste do país; e a Transilvânia, nas montanhas dos Cárpatos – a segunda mais longa cadeia de montanhas europeias, que se estende por 1.500 km na Europa Oriental – ao longo de mil anos, fez parte do Estado húngaro, do Império Otomano e do Austro-Húngaro, até 1918.

SIBIU

Foi nossa base, é uma cidade-museu repleta de monumentos medievais bem preservados e um dos mais importantes centros culturais do país. O centro murado, em torno da charmosa praça Piata Mare, tem de ser percorrido a pé, com suas imponentes igrejas evangélica e jesuíta. Também encantadora é a cidade medieval de Brasov – antiga capital da Transilvânia, sob o nome de Kronstadt –, com sua Igreja Negra, o mais representativo monumento gótico da Romênia.

A HISTÓRIA DO DRÁCULA

O príncipe Vlad nasceu em 1431, em Sighisoara, uma das cidadelas medievais mais bonitas da Europa, com sua muralha e nove torres, ruas de pedras, casario e igrejas – uma joia do século XVI.

O seu pai, que era membro da Ordem do Dragão, criada por nobres cristão para defender o território da invasão dos turcos otomanos, era chamado de Dracul (dragão), e, por consequência, seu filho passou a ser chamado Draculea (filho do dragão). A perversidade com que tratava seus inimigos teria sido a principal inspiração para o personagem. Em uma de suas muitas batalhas, foi golpeado na cabeça. Seus homens bateram em retirada levando consigo seu corpo desfalecido, quando Vlad III recobra os sentidos e conduz seu exército à vitória em uma de suas mais sangrentas batalhas, criando assim a crença de que ele havia retornado do mundo dos mortos. Já na batalha em Brasov, registra as imagens do Conde Vlad fazendo banquete no meio de seus adversários empalados. Daí recebe o nome pelo qual fica conhecido: “Tepes” – o empalador. Essa narrativa invade o imaginário europeu, e aliada a outras lendas de vampiros, teria inspirado o romance Drácula, de Bram Stoker, cujas adaptações cinematográficas posteriores ligam o nome da Transilvânia para sempre ao imaginário dos vampiros. No vilarejo de Bran há um famoso castelo do século XIV, conhecido como o Castelo de Drácula, imponente e cênico, mas não há qualquer registro de que o conde Vlad tenha vivido lá.

A REGIÃO DE MARAMURES

É uma área rural tradicional ao norte dos Montes Cárpatos, na fronteira com a Ucrânia – um daqueles lugares do mundo em que o tempo parou e parece que ainda se vive no século XIX.

Além de seus povoados e campos, a região é famosa por suas igrejas, como a de Surdesti, com a maior torre de madeira da Europa, e patrimônio da humanidade pela Unesco. Também muito instigante é o cemitério Merry, com suas lápides coloridas com pinturas naïve que descrevem de maneira poética as pessoas ali enterradas, bem como momentos de suas vidas.

REGIÃO DE BUCOVINA

A região da Romênia em relação à qual eu tinha mais expectativa era Bucovina, que foi, durante a Idade Média, o núcleo histórico do antigo principado da Moldávia, e tem uma série de mosteiros fabulosos declarados patrimônios da humanidade. Como era domingo, tivemos o privilégio de acompanhar uma colorida missa ortodoxa, com a intensa religiosidade local, no mosteiro de Moldovita – fundado em 1537 –, com uma deslumbrante descrição da genealogia de Cristo, um tema difundido na Idade Média. Adorei o mosteiro de Sucevita, construído no século XIV como uma fortaleza real, e o ápice da visita foi o mosteiro Voronet, chamada de “A Capela Sistina do Oriente”, fundado pelo rei Stephan, o Grande, em 1487, para celebrar a grande vitória contra o Império Otomano, e considerado o melhor exemplo arquitetônico e pictórico da região. Todos eles são ricamente pintados com afrescos internos e externos de cores vivas – um legado único da arte bizantina local.

É país fascinante que nos faz viajar no tempo e espaço.
Confira mais imagens no http://betonomundo.wordpress.com.

 

Crédito das fotos: Beto Conte

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