Besthome | Associação dos Pintores com a Boca e os Pés é exemplo de inclusão no mercado de trabalho por meio da arte
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Associação dos Pintores com a Boca e os Pés é exemplo de inclusão no mercado de trabalho por meio da arte

A associação, que reúne artistas plásticos com deficiência física, conquistou o mundo a partir do trabalho

Foi na pequena nação europeia de Liechtenstein, em 1956, que uma associação nasceu para garantir a artistas que não tinham a possibilidade de usar as mãos, por terem deficiência física, a oportunidade de ter uma vida digna e independente através da produção de artes plásticas.

A Associação dos Pintores com a Boca e os Pés (APBP) teve origem pela iniciativa de Erich Stegmann, pintor que construía suas obras com a boca e que, ao reunir um grupo de membros de oito países, plantou a semente para a instituição que, atualmente, opera em escala mundial, representando mais de 800 artistas de 70 nações.

A proposta de Stegmann era de que os artistas pudessem ter seu sustento de maneira independente e digna apesar das adversidades, sem a ideia de contar com a caridade do próximo, mas recebendo remuneração pelo trabalho executado por eles nas artes plásticas. Aliás, “caridade” era palavra ingrata à Stegmann.

As criações que conquistaram público em escala global ultrapassam a ideia da representação artística produzida pelas mãos e exploram os dons de criação de desenhos e imagens executadas talentosamente pelos artistas com a habilidade, nata ou desenvolvida, do uso de pinceis conduzidos com maestria pela boca ou os pés de seus criadores, fato que deu o nome à associação.

Para que o modelo de negócio proposto fosse sólido e funcionasse em longo prazo (como segue sendo até hoje), os artistas envolvidos precisavam ter uma produção com nível estético elevado. As principais produções são reproduzidas em cartões, calendários e adornos, todos elaborados com refinada técnica de pintura.

Aos  artistas que almejam fazer parte da Associação dos Pintores com a Boca e os Pés, mas ainda não possuem o nível necessário, bolsas são disponibilizadas para que seja possível a evolução técnica até o estágio exigido para fazer parte do acervo de artistas da Associação.

“Eles não querem ser vistos como dependentes. São artistas que trabalham e suas obras vendem. Por isso não trabalhamos com doações. Enviamos para os clientes o kit com vários produtos pelo Correio com um boleto. Em caso de interesse é efetuado o pagamento. Além disso, possuímos uma pequena loja física em São Paulo”, conta Luciana Muniz, coordenadora de marketing da Associação no Brasil.

A organização é administrada pelos próprios artistas e luta para oferecer uma condição de bem-estar para que seus membros possam desenvolver o trabalho criativo sem preocupações sobre questões financeiras. Somado a isso, quando aceitos na Associação, é garantida uma renda vitalícia aos artistas profissionais, mesmo que venham a ficar incapacitados de produzir novos materiais. Isso é possível pela contínua venda de suas obras em todo o mundo a partir das reproduções nos materiais comercializados.

No Brasil, 53 artistas fazem parte da Associação dos Pintores com a Boca e os Pés. Para Gonçalo Borges, parceiro do grupo há 48 anos, fazer parte da Associação é motivo de orgulho.

“Me sinto extremamente realizado. É uma associação única no mundo, fundada e dirigida por artistas assim. Ela dá dignidade e sustento para profissionais que normalmente não têm oportunidade no mercado de trabalho. Traz o pintor para o mercado artístico, promovendo seu nome e seus trabalhos”, explica.

Com o auxílio recebido para a sua produção, Gonçalo foi capaz de evoluir cada vez mais nas técnicas e abrir seu próprio negócio paralelamente. Atualmente, possui também um atelier onde ministra aulas de pintura, inclusive para diversos alunos sem qualquer deficiência física.

“A sociedade brasileira é muito preconceituosa. Ela não faz a análise de que uma pessoa com deficiência pode fazer um trabalho como artista tão bom quanto de outro profissional. A Associação faz o seu trabalho, está do nosso lado, mas temos que crescer artisticamente, evoluir sempre, para que os produtos sejam cada vez melhores”, indica Gonçalo Borges.

Como fazer parte da Associação?

A entidade está constantemente em busca de talentos e podem participar pessoas que tenham perdido a capacidade do uso das mãos e pintam segurando pincel com a boca ou os pés. Há três níveis de participantes: bolsistas, membro associado e membro efetivo. Normalmente, os artistas são admitidos primeiramente como bolsistas e recebem uma bolsa para pagar as aulas de pintura, materiais de arte, entre outros investimentos necessários. Para manter os padrões elevados de produção, o trabalho dos bolsistas é periodicamente revisado por um júri até atingir um padrão que permita que sejam aceitos como membros efetivos. Quando aprovado, a diretoria pode admitir o novo bolsista/membro, ação sujeita à ratificação do grupo na convenção dos artistas delegados.

A APBP não aceita doações, interessados em contribuir com a causa podem fazê-lo comprando as obras e produtos pelo site ou nas lojas físicas. No Brasil, a Associação tem loja na capital paulista. Para saber mais da Associação ou entrar em contato, acesse o site www.apbp.com.br

 

Crédito das fotos: Divulgação

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