Besthome | Mendoza e seus vales de vinhedos
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Mendoza e seus vales de vinhedos

Texto de Beto Conte, diretor do STB Trip & Travel, que já percorreu 137 países nos cinco continentes

 

A minha primeira viagem internacional foi para a Argentina. Muitas décadas e 137 países depois, continuo encantado e revisitando com frequência nosso país vizinho com seu longo e diversificado território desde o altiplano andino, ao norte, até a “Tierra del Fuego”, no extremo sul. Ao longo dos anos, percorri a região dos lagos em torno de Bariloche, o noroeste do país, com forte tradição indígena, esquiei em Las Lenas e fiz vários trekkings nos parques nacionais da Patagônia. Neste ano retorno outras duas vezes para lá. No verão embarco para a Antártida a partir do porto argentino de Ushuaia – a cidade mais austral do mundo –, e na primavera volto a Mendoza – a região sempre lembrada toda vez que fazemos nossa seleção de vinhos.
Na primeira vez que estive lá, meu interesse era a imponência da Cordilheira dos Andes, pois os vinhos locais não tinham ainda a fama que depois conquistaram. Mendoza foi a base para um trekking na direção da maior montanha da América do Sul – o Aconcágua. Uma trilha que começa no dique Potrerrilos, atravessa a pré-cordilheira, passa pela intrigante Puente del Inca e chega ao Cristo Redentor de Los Andes, a 3.900 metros sobre o nível do mar, já na fronteira com o Chile. Os planos de retornar e “conquistar” a montanha acabaram não acontecendo, mas volto agora para brindar o Aconcágua com os renomados vinhos da região.

 

MENDOZA

 

A quarta mais populosa cidade da Argentina tem um centro histórico charmoso, em torno da Plaza Independencia, ruas bem arborizadas e o vasto Parque General San Martín, com suas trilhas e fontes.

A pedida é se hospedar no coração da cidade, no Park Hyatt, com sua fachada do século XIX e todo o conforto do século XXI. O hotel tem dois bons restaurantes, entre eles o Grill Q, com sua famosa parrilla e um elegante wine bar – além de uma academia para se exercitar, um spa para relaxar depois, e um cassino para tentar a sorte.

MALBEC

Na época da minha primeira visita, há 30 anos, o vinho local não tinha o padrão atual, e foi graças a produtores como os da bodega Catena Zapata, que, aplicando as mesmas técnicas que havia colocado a Califórnia no mapa-múndi dos vinhos, que seus vinhedos se transformaram em referência mundial. A uva Malbec, a mais tradicional da região – e que não era valorizada pelos enófilos –, ganhou qualidade ao ser plantada em terras mais altas, e foi conquistando os críticos. Hoje os vinhos dos vales no entorno de Mendoza estão na carta de vinhos dos melhores restaurantes dos cinco continentes.

 

ITINERÁRIO

Como são os vales de vinhedos que conferem a fama internacional da região, o ponto alto e obrigatório de uma visita a Mendoza, para especialistas em vinhos ou mero simpatizantes, é a experiência da degustação em algumas das suas 130 vinícolas.

 

O programa que acho mais adequado é compor duas ou três noites em um hotel no centro de Mendoza, explorando as vinícolas mais próximas, que ficam no Valle Luján de Cuyo e Maipú, e outras duas noites em algum hotel-vinícola no cênico Valle de Uco, que fica mais longe da cidade, e que tem o Cordón del Plata ao fundo e vinhedos por todos os lados.

Uma sugestão de roteiro ideal:

  • dia 1: chegada a Mendoza e seguida ao Valle de Uco – 2 noites em hotel-cantina.
  • dia 2: visita com degustação em bodegas do Valle de Uco.
  • dia 3: visita a vinícolas em Maipu terminando o dia em Mendoza – 3 noites no centro histórico.
  • dia 4: passeio à Cordilheira dos Antes para ter vistas do Aconcágua.
  • dia 5: visita a vinícolas do Valle Lujan de Cuyo.
  • dia 6: partida.

 

VALES DE VINHEDOS

 

Para um dia perfeito nos vinhedos, sugerimos uma degustação pela manhã, na qual você vai experimentar pelo menos três vinhos, um almoço harmonizado em outra vinícola, e outra degustação em uma terceira ao final da tarde. Ao final de sua estada, vai estar especialista em Malbec e seus principais produtores.

 

A escolha das vinícolas a serem visitadas é tarefa difícil, pois em Mendoza tem mais de 1.200 vinícolas, sendo que 130 dessas recebem turistas para visitas e degustações. A maioria delas está nas regiões mais desenvolvidas na produção de vinhos de alta qualidade, e também no enoturismo, que são Luján de CuyoMaipú e Valle de Uco – as quais descrevo melhor abaixo.

 

Foi em Maipu que a produção vitivinícola começou em Mendoza. Com a manutenção de prédios históricos e conservação de antigos maquinários, algumas bodegas ajudam a resgatar essa história. Ainda há nessa região a cultura de vinícolas pequenas e familiares, que não podem faltar no seu circuito.

 

Principais vinícolas são Trapiche, Sin Fin, Familia Zuccardi, Carina e Casa Vigil.

 

No Valle de Luján de Cuyo o Malbec se transformou no marco que é hoje da identidade argentina. Algumas das grandes vinícolas da região buscam que o Malbec Luján de Cuyo se afirme como denominação de origem controlada.

 

Principais vinícolas: Catena Zapata, Lagarde, Chandon, Pulenta, Belasco e Ruca Malen.

Última fronteira do vinho em Mendoza, o Valle de Uco tem crescido com investimento internacional, com hotéis luxuosos e vinícolas que impressionam tanto pela qualidade dos vinhos quanto pela arquitetura.

 

Principais vinícolas: Andeluna, La Azul, Salentein e The Vines.

Importante agendar as visitas com meses de antecedência, pois as vinícolas têm horários limitados para receber visitantes, e muitas têm vagas bastante concorridas.

Ao fazer sua programação, observe que as bodegas – como são chamadas as vinícolas em castelhano – de Maipú e Luján de Cuyo costumam fechar aos domingos, e as do Valle de Uco, às segundas-feiras.

 

RESTAURANTES EM MENDOZA

 

Após passar o dia visitando vinícolas, a noite em Mendoza pode ser dedicada a seus ótimos restaurantes, para testar os conhecimentos adquiridos na harmonização dos pratos. A cidade tem também uma avenida da boemia, a Arístides Villanueva, com seus muitos bares.

Azafrán é um bom começo no circuito gastronômico, com sua cozinha de alto nível e um astral descontraído. Sugiro a experiência gastronômica do menu-degustação harmonizado. Optando pela seleção à la carte, parte do “fun” é se aventurar pela adega resgatando o vinho com o registro afetivo de suas “pesquisas” nas degustações pelas vinícolas. Se ainda estiver no cardápio, experimente o risoto de cogumelos ou o carpaccio de vitela com sal de azeitonas.

 

Já o restaurante María Antonieta tem um ambiente francês comandado pela chef Vanina Chimeno, com opções de refeições leves depois das “orgias enófilas” das degustações.

 

O Anna Bistro, com suas mesas no jardim à meia-luz, oferece um astral romântico e um cardápio de bistrô com destaque para o cordeiro ao Malbec.

Para o “gran finale”, reserve uma mesa no luxuoso restaurante 1884, do chef-celebridade Francis Mallmann. Um espaço diferenciado, fora do centro, com uma adega subterrânea com um “acervo” de mais de 12 mil garrafas de vinho. Estando um dia agradável, solicite as mesas no jardim. A pedida são as carnes, preparadas no forno de barro ou na parrilla.

 

ONDE FICAR NO VALLE DE UCO

 

Meus preferidos são Casa de Uco Vineyards and Wine Resort, que ocupa 320 hectares de uma fazenda, grande parte com extensos vinhedos e um lago que completa o visual. A arquitetura desse hotel chama a atenção: moderna, clean, nobre, foi projetada de uma maneira que parece fazer parte da geografia do lugar, mudando de acordo com a luz do sol. A Finca Atamisque Lodge, um lodge luxuoso dentro de uma vinícola bacanérrima, também é estância e campo de golfe, cenário de lua de mel. Tem arquitetura moderna, com várias atividades ao ar livre e spa.

 

QUANDO IR

No verão as parreiras estão cheias de vida, mas, como em dezembro e janeiro o calor pode chegar aos insuportáveis 40°C, sugiro a viagem para o fim da estação, já na época das colheitas. No final de fevereiro, começa a colheita das uvas brancas, e em meados de março chega a vez das uvas tintas.

Já no inverno desaconselho, em função da paisagem com os vinhedos sem folhas e sem uvas.

 

Melhor época acaba sendo no outono (entre meados de março e de junho) e no início da primavera (entre meados de setembro e de novembro), que combina temperaturas agradáveis com bons preços na hotelaria e degustações menos concorridas.