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Governo gaúcho: elo para aproximar interesses e estimular a inovação

O governador Eduardo Leite, eleito com 53,6% dos votos no segundo turno, está no meio do primeiro trimestre de governo e estabelece como principal legado de sua gestão recuperar a capacidade empreendedora do Rio Grande do Sul

 

Em outubro de 2018, a população gaúcha elegeu o novo governador do Rio Grande do Sul. Eduardo Leite, formado em Direito na Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e ex-prefeito de Pelotas, obteve 53,6% e venceu a disputa com José Ivo Sartori. Desde 1º de janeiro de 2019, o político, de 33 anos, busca retomar o rumo do crescimento para um estado que já figurou entre os mais desenvolvidos economicamente. Contudo, atualmente, enfrenta grandes desafios        para diminuir a máquina pública com o objetivo de aumentar o poder de investimento, além de desburocratizar processos e estimular a inovação, para alavancar a economia estadual.

 

Recentemente, Leite firmou um Acordo de Cooperação com a Fundação Lemann, a Fundação Brava, o Instituto Humanize e o Instituto República, para recrutamento de pessoas com perfil técnico para ocupar cargos de liderança do governo. Em um primeiro momento, as buscas serão para as áreas de educação e gestão de pessoas. A iniciativa faz parte de um processo de transformação da máquina pública, conforme descreve Eduardo Leite: “Nosso compromisso é gerar oportunidades e soluções, criando um ambiente mais otimista e receptivo, capaz de espalhar por todo o estado uma mensagem de que devemos fazer mais e melhor”.

 

Em entrevista exclusiva à Best Home, o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, fala acerca dos desafios, das expectativas e projeções para melhorar o estado.

 

Best Home: A gestão da máquina pública é o principal desafio para os atuais governos no país. Qual a expectativa do senhor quanto ao aumento da produtividade no poder público do Rio Grande do Sul e de que forma exercer esse planejamento?

Eduardo Leite: Digo, sempre que posso, que não fomos eleitos apenas para administrar a crise. Nosso compromisso é gerar oportunidades e soluções, criando um ambiente mais otimista e receptivo, capaz de espalhar por todo o estado uma mensagem de que devemos fazer mais e melhor. Dentro do governo, criamos uma secretaria, de Governança e Gestão Estratégica, que tem como foco justamente a tarefa de aprofundar a racionalidade da administração pública, com ganhos no monitoramento das nossas prioridades e ampliação da perspectiva de agir transversalmente.

 

Best Home: Quais os principais entraves para aumentar a eficiência do poder público, principalmente no que tange ao desenvolvimento da economia?

Eduardo Leite: O caso do setor público no Brasil é peculiar, e o Rio Grande do Sul vive uma situação ainda mais complexa dentro desse cenário. Me refiro à delicada situação fiscal que somos obrigados a administrar. A falta de recursos impacta áreas sociais como saúde, educação e segurança, mas também atrapalha o estado na oferta de insumos para estimular o desenvolvimento. Nos falta fôlego para investir em infraestrutura e também para liderar processos e sistemas de inovação. Isso acaba criando um círculo vicioso, porque acabamos inibindo o potencial de gerar mais crescimento econômico e trabalho, o que repercute nas receitas para reinvestir na sociedade. Nosso principal desafio é desarmar essa armadilha.

 

Best Home: O senhor considera o trabalho realizado na prefeitura de Pelotas como uma graduação para assumir o governo do estado? Qual foi o principal legado da gestão municipal que o senhor considera fundamental agora na liderança do Rio Grande do Sul?

Eduardo Leite: Certamente. Tudo começou ali. Foi em Pelotas que pude aprimorar minhas concepções sobre gestão pública. Aprendi muito. Não resolvemos todos os problemas, mas conseguimos apresentar soluções que foram acolhidas pela cidade. A população de Pelotas manifestou-se, na eleição para governador de 2018, com uma votação expressiva, superior a 90%, o que muito me orgulha e indica aprovação em relação ao que conseguimos fazer no município, com a ajuda de competentes colaboradores. Creio que o principal legado tenha sido a compreensão de que praticar o diálogo, a conversa, o entendimento, a negociação, é a melhor ferramenta para alcançar resultados na gestão pública.

 

Best Home: Diante do cenário atual, o senhor avalia o estado como um local propício a investimentos? De que maneira é trabalhado o estímulo à economia?

Eduardo Leite: O Rio Grande do Sul tem uma base atrativa muito sólida, em função da nossa matriz econômica, lastreada por um setor primário produtivo e uma indústria potente e diversificada. Também somos atraentes porque temos um capital humano insubstituível. Geramos, aqui no nosso estado, conhecimento e tecnologia de forma abundante, temos pesquisas e parques tecnológicos que oferecem um ambiente fértil à inovação. Nossa estratégia passa por estimular os setores tradicionais, já enraizados, além de prospectar a nova economia. O primeiro passo, como eu já disse, é o do equilíbrio fiscal. Ajustar as nossas contas para sinalizar algo de positivo à iniciativa privada. No mínimo, demonstrar que não queremos colocar a ineficiência estatal no caminho, como um obstáculo. Também precisamos desburocratizar, equacionar carga tributária e incentivos fiscais onde for possível, mesmo que o espaço para isso seja exíguo. Ainda há uma tarefa enorme pela frente para deixar as nossas estruturas de governo mais receptivas à atração de investimentos, concentrando a oferta de serviços públicos de apoio a quem planeja investir aqui. Trabalhar essa questão da recepção está na pauta da Secretaria de Desenvolvimento e Turismo.

 

Best Home: O estado tem centros de inovação, principalmente ligados às universidades. Como ampliar essa questão e expandir o desenvolvimento de negócios disruptivos? E qual o papel do governo nesse processo?

Eduardo Leite: Nós recriamos uma pasta para se dedicar exclusivamente ao tema. A Secretaria de Inovação, Ciência e Tecnologia está concentrada em promover as articulações necessárias para que o estado dê conta de suas atribuições nessa área. O nosso papel precisa ser o de indução. A nova economia de base digital e sustentável se movimenta por alguns princípios, e um desses fundamentos está na colaboração. O estado tem vocação para articular, para aproximar interesses, para garantir os subsídios institucionais. A estratégia conduzida pelo secretário Luis Lamb é esta: gestar e alimentar um novo ambiente, aproveitando todas as iniciativas em curso ligadas ao universo da inovação. Temos um conjunto de parques tecnológicos que já promovem essa articulação, mas eles precisam estar ainda mais próximos e compartilhados, trazendo negócios de alta tecnologia, da indústria criativa, das biociências, com energias limpas – enfim, nossa meta é fazer com que o Rio Grande do Sul seja um endereço de referência para a nova economia, inclusive com alcance internacional.

 

Best Home: É possível acreditar que o Rio Grande do Sul pode tornar-se um polo de referência em inovação no Brasil?

Eduardo Leite: Nós já somos. O desafio é ampliar o nosso potencial. Temos uma história e uma tradição que não podem ser desprezadas.

 

Best Home: A autoestima e a confiança dos gaúchos estão enfraquecidas. Qual é a estratégia e quais as principais ações do governo do estado para contribuir para alavancar essas características na população?

Eduardo Leite: Como já disse, o estado precisa deixar de ser um obstáculo e passar a imagem de que está se movendo. A crise, de certa forma, nos envergonha, porque o Rio Grande do Sul passou a ser visto como exemplo de desestruturação financeira. Em qualquer conversa sobre as dificuldades financeiras do setor público no Brasil, logo somos citados como um dos mais afetados. Definitivamente, isso não combina com o orgulho que temos das nossas façanhas, das nossas coisas, nós que sempre tivemos como traço característico a coragem para empreender e realizar. Então, a estratégia é sair do imobilismo e romper com o discurso de que a crise é inevitável e de que os problemas dependem de outros para serem resolvidos. O problema é nosso, e precisamos agir para tentar resolver. O nosso calendário é o da ação.

 

Best Home: O senhor afirmou que não pretende concorrer à reeleição. De que maneira, de acordo com o planejamento, o senhor deseja entregar o Rio Grande do Sul ao final da gestão?

Eduardo Leite: Trabalhamos para recuperar a capacidade empreendedora do estado. Esse precisa ser o nosso legado. Penso, todos os dias, em como restabelecer a previsibilidade na gestão das contas públicas e dos nossos pagamentos, em como podemos passar a investir em níveis razoáveis e a cumprir obrigações em áreas sensíveis. Quero, ao final da gestão, poder olhar para trás e ver que abrimos um caminho de diálogo e conseguimos unir todos os atores possíveis para resolver os nossos dilemas conjunturais. O Rio Grande do Sul é maior do que qualquer mandato.