Besthome | A trajetória de um campeão
15855
post-template-default,single,single-post,postid-15855,single-format-standard,qode-listing-1.0.1,qode-social-login-1.0,qode-news-1.0.2,qode-quick-links-1.0,qode-restaurant-1.0,ajax_fade,page_not_loaded,,qode-title-hidden,qode-theme-ver-13.0,qode-theme-bridge,bridge,wpb-js-composer js-comp-ver-5.4.4,vc_responsive

A trajetória de um campeão

Aos 95 anos, o líder gaúcho Anton Karl Biedermann é um exemplo de superação e segue batendo recordes mundiais nas piscinas brasileiras

Anton Karl Biedermann é natural de Rio Grande e, antes de fixar-se em Porto Alegre, viveu a adolescência em São Paulo. Na capital gaúcha, formou-se em Ciências Contábeis e Economia e também criou a Diehl, Biedermann & Bordasch, empresa de auditoria. Mas a vida de Biedermann não se resume apenas aos diplomas e trajetória profissional brilhante. O empresário aposentado é conhecido por ser um grande líder dedicado a romper paradigmas e quebrar recordes mundiais nas piscinas.

Biedermann está há quase duas décadas entre os top 10 nadadores masters no ranking da Federação Internacional de Natação (FINA). Em abril deste ano, em Curitiba, conquistou o Campeonato Brasileiro Master de Natação, na prova 50 metros costas categoria 95+. O nadador estabeleceu um novo recorde mundial ao completar a prova em 55,9 segundos.

O vínculo com a natação começou antes mesmo de aprender a nadar, segundo Biedermann. Quando pequeno, ainda em Rio Grande, tinha como leitura preferida uma série sobre Tarzan, seu ídolo na época. Nos filmes lançados, o herói era interpretado pelo ator e nadador Johnny Weissmuller. “Ele foi campeão olímpico e bateu recordes. Via os filmes e queria nadar como ele”, relata.

Quando a família se mudou para Guaratinguetá, no interior de São Paulo, a mãe o matriculou na natação. Em três dias o menino já aprendeu a nadar, inspirado pelos movimentos que assistia nos filmes, acredita ele. A família transferiu-se para Jundiaí, onde o jovem começou a participar de competições. Foi incentivado a ir para São Paulo, após ser vice-campeão paulista na categoria de aspirantes. Na capital, entrou na equipe de natação do Corinthians. “Ao lado do clube corria o rio Tietê, onde em um ‘basin’, especialmente preparado, treinávamos”, conta.

Em 1941 a família voltou ao Rio Grande do Sul, para Porto Alegre. Na época, Biedermann foi buscar um clube para nadar e chegou ao Grêmio Náutico União. Nesse momento começou uma grande relação com o clube, além da esportiva. “Passei a viver boa parte da minha vida no União. Acredito que tenha permanecido mais horas dentro do clube do que nas diversas casas em que morei”, brinca. O empresário afirma que frequentava o local pela manhã, à tarde e à noite. “Criei grandes amizades, conheci minha primeira mulher, meus quatro filhos se criaram ali. A maior parte do que aprendi, especialmente em relação ao comportamento humano, foi no União”, aponta.

Nesse mesmo ano de 1941, Biedermann participou da primeira competição, e no ano seguinte, aos 17, ganhou a Travessia de Porto Alegre a nado – o percurso era da Avenida Sertório até o portão central do cais, pelo rio Guaíba. Após diversas competições, acreditava que havia chegado à idade limite da natação, aos 24 anos, e passou a dedicar-se ao remo, que praticou e no qual competiu por muitos anos.

Em 1998, quando estava com 75 anos, foi convidado pelo Grêmio Náutico União para competir em um campeonato brasileiro master de natação, que ocorreria em Porto Alegre. “Venci a prova sem treino e percebi que esse deveria voltar a ser o meu esporte”, recorda. Biedermann voltou para as piscinas, onde continua até hoje, ainda conquistando prêmios e batendo recordes.

Para ele, foi um fator imprevisível chegar aos 95 anos ainda praticando a modalidade e competindo. Além de praticar por hobby, afirma que o faz para preservar a saúde. Hoje, além de nadar seis dias por semana, também faz musculação. “O esporte ensina tudo na vida. Qualquer tipo ensina a vencer, se tiver condições, mas também a perder, o que é muito útil para o dia a dia. As derrotas acontecem constantemente, e temos de estar sempre se recuperando para as novas histórias”, ressalta Biedermann.

Em 2018 foi lançado o livro “50 metros a mais”, que une relatos do próprio Biedermann e também depoimentos de diversas pessoas que conviveram e convivem com ele, relatados à jornalista Suzana Naiditch. A publicação é dividida em cinco partes: O Homem, O Esportista, O Profissional, O Líder Empresarial e O Crítico.