Besthome | Otimismo e entusiasmo para o Brasil
15872
post-template-default,single,single-post,postid-15872,single-format-standard,qode-listing-1.0.1,qode-social-login-1.0,qode-news-1.0.2,qode-quick-links-1.0,qode-restaurant-1.0,ajax_fade,page_not_loaded,,qode-title-hidden,qode-theme-ver-13.0,qode-theme-bridge,bridge,wpb-js-composer js-comp-ver-5.4.4,vc_responsive

Otimismo e entusiasmo para o Brasil

Jornalista Alexandre Garcia acredita que é preciso resgatar o positivismo no Brasil para que seja possível investir e construir um futuro melhor para o país 

 

Muito se fala em um cenário complexo e repleto de incertezas, entretanto, o jornalista Alexandre Garcia acredita que o país caminha na direção certa rumo ao desenvolvimento econômico. Ele explica que as recentes reformas propostas pelo Congresso Nacional, bem como a renovação do Legislativo, contribuem para um quadro otimista e entusiasta do futuro.

Contudo, Garcia considera que a população realizou uma grande revolução em outubro do ano passado. Por meio do voto e de forma pacífica, o Brasil deu um grande passo para reverter a situação crítica em que se encontra. Para ele, o Congresso que hoje aprova reformas e prevê melhorias para reajustar as cargas fiscais e tributárias é o melhor que já atuou nos últimos anos.

O jornalista esteve em Porto Alegre no mês de agosto para ministrar a palestra magna “O Brasil em 2020: cenários políticos e os impactos no consumo”, durante a 38ª Convenção Gaúcha de Supermercados – Expoagas 2019.

 

Best – O Brasil vive um cenário de incertezas e muitas instabilidades no qual ainda é difícil atrair investimentos e acreditar em futuro economicamente próspero. Com isso, qual seria a próxima etapa pela qual o país deve passar rumo ao desenvolvimento econômico?

Alexandre Garcia – Uma mudança fácil, temos que sair desse pessimismo. É preciso ter otimismo em relação ao futuro, do contrário, não há investimento. A pessoa que investe agora não tem planos de ganhar hoje, ela terá ganhos no futuro.

 

Best – O quanto as aprovações das reformas podem contribuir para um futuro mais próspero?

Alexandre Garcia – Temos a reforma da Previdência, depois a reforma tributária e já veio a Lei da Liberdade Econômica. Já tivemos tantas coisas menores, que não são noticiadas, como o corte de subsídios para ex-presidentes e ex-governadores, informação que certamente não está nos jornais. Esse corte, na minha opinião, é uma excelente notícia e não é uma invenção do presidente da República. Essa ação é oriunda desse novo Congresso, que talvez possa ser o melhor que estamos tendo nos últimos 30 ou 40 anos. Tudo isso graças ao eleitor. Eu vejo tudo de forma otimista; quem quer ver de forma pessimista terá isso em sua própria vida.

 

Best – Quando falamos de liberdade econômica, quais aspectos desse universo devem ser aplicados para desenvolver a economia brasileira?

Alexandre Garcia – Liberdade econômica significa tirar aquela bola de ferro amarrada no tornozelo de quem quer empreender. Ela tira a burocracia e facilita o pagamento de impostos, embora ainda não baixe a carga fiscal, até porque, para reduzir a taxa, primeiramente, devem ser reduzidos os gastos públicos – e isso é outra coisa necessária, principalmente em folha de pagamento. O mundo digital surgiu nos anos 90, e, desde então, a máquina pública só aumentou. Isso não faz sentido. Afinal, o avanço tecnológico deveria reduzir em um terço o inchaço do Estado. Com isso, primeiro, temos que enxugar, para que seja possível baixar a carga fiscal.

 

Best – Podemos afirmar que o conjunto das reformas e a renovação do Congresso contribuem para a geração de empregos e o incentivo ao empreendedorismo no país?

Alexandre Garcia – É um círculo virtuoso em um país que veio de um círculo vicioso nas últimas décadas. Entretanto, não é possível fazer isso de uma hora para outra. O Estado foi de tal forma sistematizado que os donos dos ministérios eram os partidos políticos, e os donos das instituições eram os sindicatos, ou seja, não tinha como governar desse jeito. Agora, temos que cair na realidade, corrigir os erros e depois começar a construir algo que foi destruído a ponto de chegar a um caos de mais de 12 milhões de desempregados.

 

Best – Em sua opinião, o comportamento pessimista do brasileiro e a ideia de não aceitar as mudanças podem ser responsáveis pela demora na aprovação das reformas?

Alexandre Garcia – Em 1993, estava nas disposições transitórias que a Constituição seria revisada em cinco anos, sem a necessidade da aprovação de maioria qualificada, ou seja, seria aprovada com maioria simples. Nessa revisão, vi as reformas prontas, vi a reforma tributária baixando a carga fiscal para em torno de 18%, vi a reforma da Previdência tornando a Previdência enxuta, vi a reforma política, com voto distrital, com representatividade melhor do eleitor. Vi também a reforma administrativa, porém, nela estava escrito que o município que não for autossuficiente financeiramente voltaria a ser distrito. Aí o líder municipalista da época e presidente do MDB não gostou dessa ideia e boicotou a revisão institucional; o resultado é que estamos até hoje fazendo essas reformas. Felizmente a da Previdência passa tranquila no Senado, e vamos ter as outras reformas – vem aí a tributária. Mas jogamos fora a oportunidade, exatamente em uma época em que US$ 400 bilhões estavam voando após a crise asiática, querendo pousar em algum lugar. Se tivéssemos feito a revisão constitucional, pousariam aqui.

 

Best – Essa mudança no Congresso será positiva para a aprovação das reformas?

Alexandre Garcia – Não foi só uma mudança eleitoral, foi uma mudança no Legislativo. Temos uma renovação de quase metade de gente muito boa. O Congresso está cheio de gente nova que está fazendo funcionar; esses novos nomes fizeram passar a reforma da Previdência e vão derrubar a Lei de Abuso de Autoridade. O Senado também aprovou rapidamente a liberdade econômica, deixando de lado o que estava atrapalhando, pois o Brasil não pode esperar.

 

Best – Qual a sua avaliação do embate de ideais estabelecidos no Brasil atualmente?

Alexandre Garcia – Muito se fala que o Brasil está bipolarizado, porém, os Estados Unidos também estão bipolarizados, e faz muitos anos. A maior democracia do mundo está bipolarizada.       A Rússia, durante 70 anos, ficou monopolarizada, a China é um país monopolarizado – é assim que queremos? Fala-se em diversidade para tudo, só não pode diversidade de pensamento. É como se todos fôssemos obrigados a ter pensamento único, algo que nos impuseram e aceitamos. A gente só é perdoado porque, em outubro do ano passado, reagimos contra dinheiro, tamanho e informações maciças.